terça-feira, 7 de agosto de 2012

O OUVIR HISTÓRIAS PODE ESTIMULAR...
Fanny Abramovich.
O desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatralizar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer de um texto!
No principio não era o verbo? Então... E o mesmo as crianças maiores, que já sabem ler, também podem sentir grande prazer no ouvir... Afinal, não ouvem discos, não escutam rádio (sem nenhuma imagem)?! Alga Marina Elizagaray, lembra: “Não deveríamos esquecer nunca que o destino da narração de contos é o de ensinar a criança a escutar, a pensar e a ver com os olhos da imaginação.”
A narração é um antiguíssimo costume popular que podemos resgatar da noite dos séculos, mas é importante lembrar que a “narração é sempre auditiva e não visual.” Quando a criança sabe ler é diferente sua relação com as histórias; porém, continua sendo enorme prazer ouvi-las.
Ouvir histórias é viver um momento de gostosura, de prazer, de divertimento dos melhores...
É encantamento, maravilhamento, sedução... O livro da criança que ainda não lê é a história contada. E ela é (ou pode ser) ampliadora de referenciais, poetura colocada, inquietude provocada, emoção deflagrada, suspense a ser resolvido, torcida desenfreada, saudades sentidas, lembranças ressuscitadas, caminhos novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as mil maravilhas mais que uma boa história provoca... (desde que seja boa).
Uma das atividades mais fundantes, mais significativas, mais abrangentes e suscitadoras dentre tantas outras é a que decorre do ouvir uma boa história, quando bem contada.
CONTAR HISTÓRIAS, LER HISTÓRIAS... CONSTRUIR MUNDOS
Joana Cavalcanti
[...] O leitor infantil pode ser muito facilmente envolvido pelo momento da “contação”, desde que o processo seja bem conduzido.
A melhor técnica para narrar histórias de maneira sedutora, prazerosa e envolvente para crianças é, em primeiro lugar ser um contador absolutamente apaixonado pelo mundo do “faz-de-conta”. Estar envolvido afetivamente com a narrativa é ponto fundamental. A história tem que ser narrada com paixão, sentimento, entrega, partilha.
Sem dúvida, existem algumas maneiras de fazer do momento da leitura um espaço de prazer, troca, dinamismo, entrega, descoberta e reflexão.
CONTAR HISTÓRIA COM O LIVRO
CONTAR HISTÓRIA SEM O LIVRO
Conhecer o texto com profundidade

Conhecer o texto com profundidade
Sensibilizar o grupo para o momento de escuta

Sensibilizar o grupo para o momento de escuta
Criar “ambiência”, convidando para entrar no mundo do “faz-de-conta”.
Criar “ambiência”, convidando para entrar no mundo do “faz-de-conta”.
Depois de estabelecida a confiança e intimidade, iniciar a contação.

Depois de estabelecida a confiança e intimidade, iniciar a contação.


A história não é pretexto, ela é o texto.
A história não é pretexto, ela é o texto.

O livro deve ser apresentado ao grupo. Dizer o título, autor, editora. Mostrar a capa.
A voz deve ser bem empostada.

Segurar o livro aberto sobre as mãos, com cuidado e carinho, denotando respeito (relação com o universo sagrado da palavra).
Procurar teatralizar por meio da voz (ritmo, timbre, pausas, sonoridade).
Ler, pausadamente, mas demonstrando intimidade com o texto e entusiasmo pela leitura.
Teatralizar por meio de movimentos (mãos, face).
Pontuar corretamente, prestando atenção no tom, ritmo, volume.
Os movimentos devem ter intensidade, mas nunca impulsos exageradamente agressivos.
Evitar gestos e expressões faciais exagerados, como recursos de narração. Por isso quando se lê a história, a carga de tensão deve estar contida na própria relação das palavras, frases.
Usar a criatividade para dar “vida” ás personagens. Ser absolutamente espontâneo.
A cada página virada, deve-se mostrar aos ouvintes as imagens (ilustrações/desenhos/palavras)
Ir adaptando a “interpretação do texto” de acordo com o que se percebe no grupo.
Exemplo: se nas partes mais tensas da história, os ouvintes apresentarem expressões muito angustiadas, então o contador deve aliviar o nível de tensão, sem perder o nível de intensidade.
Relacionar o dito oral com o dito escrito.
Não se perder do texto, “inventando” situações que não pertencem á história.
Durante a leitura, procurar não interromper a narrativa.
Agir com naturalidade e repassar emoção são fatores de sucesso no momento da contação.

Ler com entusiasmo e atenção, mas não esquecer que a leitura está sendo realizada para outros, portanto é necessário que, entre um parágrafo e outro, o contador dirija o olhar para o grupo, perceba o movimento, o nível de tensão, a atenção. Que seja um momento compartilhado.
O contador de história é alguém que deve ter capacidade de interpretação, como também de provocar o imaginário do ouvinte. É, portanto um “autor”. Alguém capaz de usar a persona sem perder o contato, o olhar, a ternura, o encanto próprio ao fabulador.
Ficar sensível as relações dos ouvintes. No final, fechar o livro com respeito e permitir que os ouvintes expressem seus sentimentos com relação aos diversos aspectos do texto.
Ao final da narração utilizar-se da tradição popular que em geral conclui as narrativas, como: “entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato, seu rei mandou dizer que você contasse quatro...” ou “na ladeira do escorrega...”.
REFERÊNCIAS:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 4. Ed. São Paulo: 1994
AMARILHA, Marly. Estão mortas as fadas? 6. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
CAVALCANTI, Joana. Caminhos da Literatura infantil e juvenil: dinâmicas e vivências na ação pedagógica. São Paulo: Paulus, 2002.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria-análise-didática. 7. Ed. Ver. São Paulo: moderna, 1991.
COLOMER, Teresa. A formação do leitor literário: narrativa infantil e juvenil atual. São Paulo: Global, 2003.
LAJOLO, Marisa. O que é literatura. 10.ed.São Paulo; brasiliense, 1989.
LAJOLO, Marisa. Literatura infantil brasileira: história & histórias.
SILVA, Maria Betty Coelho. Contar histórias: uma arte sem idade. 10. Ed. São Paulo: Ática, 2004.

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